Igreja Sirian Ortodoxa Santa Maria

ENCÍCLICA 2015
 


ENCÍCLICA PATRIARCAL DO CENTENÁRIO DO GENOCÍDIO DOS SIRÍACOS – SÁIFO
Em nome do Auto existente, Sempiterno, de necessária existência,
O Todo Poderoso,
Ignatius Afrem II, Karim, Patriarca da Santa Sé de Antioquia
E de todo o Oriente,
Chefe Supremo e Universal da
IGREJA SIRIACA ORTODOXA
Em todo o mundo.
Estendemos nossa benção apostólica e as orações senhoriais aos nossos elevados irmãos:
Sua Beatitude Mor Basílio Tomás I, Maferiono da Índia; Suas Eminencias os Metropolitas, Arcebispos, Bispos, e aos nossos filhos espirituais, Monsenhores das Dioceses e Curas
Presbíteros, Monges e Freiras, Diáconos e Diaconisas virtuosas, e, a todo nosso povo siríaco ortodoxo em todo o mundo.



ENCÍCLICAS E ÉDITOS
 
 
 
2015  
2015 Aramaico  
 
 
 
 

 

   


<<Quem poderá separar-nos do amor dele de Cristo? A necessidade? ou a prisão? ou a perseguição? ou a fome? ou a nudez? ou o perigo? ou a espada?>> (Romanos-cap. 8; versículo 35)
Neste ano de 2015, lembramos o centenário do <<sáifo>> que foi o genocídio dos siríacos (Surianis), no qual foram mortos os filhos do nosso povo no início do século vinte dentro dos limites do Sultanato Otomano quando nem armas portavam e traiçoeiramente foram assassinados. Naqueles dias, foram passados pelo fio da espada mais de quinhentos mil siríacos, além dos armênios e cristãos de outras desinências. Aqueles que conseguiram escapar, foram expulsos de suas casas e terras e despojados de suas posses, sua honra foi pisoteada. E muitos deles foram atribulados para que negassem sua fé e de sua fé Naquele tempo, uma grande quantidade de edifícios e propriedades da Igreja foram
transformados em currais para animais irracionais ou restaurantes com o objetivo de apagar qualquer indício da existência dos siríacos cristãos naquele lugar e também que se colocasse a mão no dinheiro dos cristãos, suas posses e suas fundações.
Fomos na verdade mártires em nosso Oriente, terra na qual nossa energia por causa da esperança, da nossa civilização e cultura fomos chamados como “o povo que ama a sabedoria, de forte vontade, e, por issode muitos sofrimentos”.
Os vagalhões do mar de matança rodearam os fiéis filhos de nosso povo de todas as direções: tanto do governo do sultão como também dos povos que o cercavam; as folhas da história do nosso povo ficaram repletas de sofrimentos e tristeza. Eis porém, o pior dos sofrimentos: um
vizinho (não cristão) entregava o seu próprio vizinho cristão à morte e à matança sem causa e como resultado de tudo isso, as vidas desses siríacos foram preenchidas com sofrimento e amargura.

Passaram-se cem anos da perseguição do <<sáifo>> e nossas feridas amargas não se curaram; como recompensa para a destruição dos seus mártires, nossa Igreja Sirian Ortodoxa tomou o dever de conscientizar a mente humana que naufragou em sono profundo com relação à fé e
assim tomou a si a responsabilidade de lembrar à humanidade desse insulto que foi um dos piores do século vinte; esse genocídio não desaparece da memória humana enquanto encontra-se quem ilumine os olhos cegos dos que não querem enxergar e abrir os ouvidos
surdos acordando-os do sono profundo no qual se afundou a maioria do mundo.
Desviaremos então nossos olhos do genocídio que foi a causa de nosso exílio da terra de nossos antepassados e a destruição de nossas igrejas e de nossa honra?
Cem anos se passaram e a matança permanece: os cristãos novamente são o alvo das flechas da matança, e não existem leis que protejam os direitos humanos e nem coração que se apiede de nós e das diversas formas de sofrimentos que se ultrapassam em desgraças e se
multiplicam.
Como se parecem os dias de hoje com os de ontem!
Os filhos de Mosul foram exilados de sua cidade!
Os filhos da Planície de Nínive foram arrancados da terra dosnossos antepassados!
Nosso povo siríaco está vagando novamente em busca do lugar onde possa viver e habitar em paz!
Eis que nossos filhos espirituais na Síria foram atirados em guerras!
A diáspora esvazia nossas igrejas de seus filhos e as muitas vilas têm seus filhos exilados!
Essas torturas e atribulações não conseguem sobrepujar a esperança que habita em nossos corações!
O amanhã com certeza será mais brilhante!
O bem com certeza vencerá a perversidade!
As orações e súplicas ao Senhor em nossas terras novamente se aproximarão, pois, plantamos as fundações do saber, da civilização e do progresso; por isso, essa fé que chegou até nós pelo sangue dos mártires, não havemos de abandona-la, temos pois, confiança nas palavras vivas
de Nosso Senhor Jesus Cristo:
<<No mundo, tereis tribulações; mas, tende coragem: Eu já venci o mundo!>> (Evangelho de São João, cap. 16, versículo 33).
Todas essas perseguições não poderão impedir-nos de carregarmos o jugo de nossa fé em Cristo Nosso Senhor e de seguirmos as doutrinas da nossa Igreja, pelo exemplo destes mártires que deram suas vidas à morte pela Esperança, como foi escrito por nossos pais siríacos:
<< Onde foram mortos os mártires e seus membros esquartejados, lá desceu o Espírito Santo e onde havia destruição se fez a paz.>>.
Mesmo que tenhamos sido obrigados a sair de nossas terras por um curto período, ainda assim, é preciso que estejamos imbuídos no amor a nossa pátria e um imenso entusiasmo deverá encher nossos corações pela herança de nossos pais. Permaneçamos pois crentes em sermos discípulos de Cristo que a Ele fomos chamados, e, pelos séculos que virão a Ele glorificaremos porquanto sabemos a verdade de Suas palavras:
<< Aquele que tiver esperança até o fim, esse será salvo.>>.
No Concílio Geral da Igreja Siríaca Ortodoxa de Antioquia reunido sob nossa presidência, no dia 30 de maio de 2014, percebemos que seria bom fazermos uma comemoração pelo centenário do genocídio dos siríacos <<sáifo>> no ano de 1915.Por isso criamos um Comitê Patriarcal
para preparar tudo que se fizer necessário a essa comemoração como traduções, hinos e demais necessidades; decidimos que o início do JUBILEU DOS CEM ANOSseja durante a Santa Missa na Sé da Nossa Cátedra Apostólica Patriarcal em Damasco, no dia de domingo, 11 de
janeiro de 2015; no Líbano também, no dia de domingo, 18 de janeiro. Quanto as outras programações serão realizadas com essas Missas, e o Patriarcado realizará comemorações com palestras e festividades especiais na Suécia, Américas, Índia e Roma.
O grande significado destas festividades é divulgar que:
O POVO SIRÍACO NÃO MORREU!
O POVO SIRÍACO NÃO FOI VENCIDO!
PERSISTIMOS EM NÃO NOS ENTREGAR AO INSULTO E À VERGONHA, E, ATÉ A MORTE!
AO CONTRÁRIO, AMAMOS A VIDA!
O objetivo dessa comemoração não é para o ódio ou escárnio mas para demonstrar a cura do amor e da fé, para a memória dos nossos mártires inocentes e para nos lembrarmos e às gerações futuras da desonra do que ocorreu para que não testemunhemos pela segunda vez
algo assim nem para nós e muito menos a outros povos.
Em assim sendo, nesta nossa Encíclica, patriarcalmente ordenamos que se proceda a Missa Divina em todas as igrejas siríacas no mundo em um destes domingos que apresentamos como abertura do jubileu do centenário da comemoração do <<sáifo>>. Ordenamos também
a todos os nossos filhos espirituais de todas as nossas dioceses a oferecerem orações e missas pelo descanso de todos os mártires do genocídio dos siríacos e convidamos nossos irmãos, os excelentíssimos bispos que incluam a programação das festividades e palestras neste ano de
2015.
De Deus Nosso Senhor, pedimos compaixão em abundância para os espíritos de todos os mártires e em especial aos mártires siríacos vítimas do <<sáifo>>; suplicamos ao Senhor, Aquele a quem esses mártires ofereceram suas vidas, que afaste de nós este cálice de amargore de todos os que tem fé em Seu nome e Nele buscam proteção.
Rezamos também para que a paz contínua e a harmonia plena se espalhem no mundo, principalmente no Oriente Médio, pelas orações da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus e todos os Mártires e Santos, amém, Pai Nosso ...
Redigido em nossa cela Patriarcal em Damasco – Síria
Aos 11 dias do mês de dezembro do ano de 2014,
Primeiro ano de nosso pontificado. .

 

 

 
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